domingo, 11 de dezembro de 2016

Minorias


As variadas tribos de Copacabana validam a palavra diversidade, que anda na moda quando se fala de uma sociedade moderna que aceite de bom grado o direito das minorias. Pois minorias é o que não falta no bairro. A primeira delas é a dos velhos que habitam os prédios antigos e formam a primeira referência. Exibem sua pobreza e uma certa dignidade nos supermercados, nos bancos, nas festas e nas ruas distantes da praia. Eles vieram para cá nos anos cinquenta, antes que Ipanema e Leblon despontassem como áreas residenciais e muito antes da Barra, o enorme areal hoje ocupado pela classe emergente dos subúrbios.

Tem os boêmios que enchem os bares da noite e, entre as profissões noturnas, ainda se destacam as jovens prostitutas e prostitutos que fazem ponto na Avenida Atlântica. Um garçon me chamou a atenção para a raridade das velhas putas de antigamente porque as de hoje tomam drogas e morrem cedo.

Há o mundo, o submundo, os atletas, as favelas, os jogadores de cartas das praças públicas, os pequenos e os grandes ladrões, criminosos e policiais de todos os matizes. Todos vivendo juntos. Cento e cinquenta mil pessoas em 79 ruas, sem contar os turistas e os que vêm de outros bairros e enchem a praia no fim-de-semana.

Hoje, um dia quente, o bairro ferve não só com a Parada do Orgulho LGBT. Os bares lotam, as mulheres se despem em Copacabana, o mais cosmopolita e democrático e também o mais humanamente rico dos bairros da cidade.
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