quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Relance

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Em uma paisagem distante, recanto solar onde homens e animais se misturavam às cores verdes da natureza, ouviam-se o vagido solitário dos bezerros, a queda da água e o constante zumbido dos besouros. Os dias eram longos, contemplados pelo ir e vir das lembranças, o sorriso na face das crianças, ritmadas oscilações das árvores comandadas pelo vento.
A brisa trazia recordações que alimentavam os vivos. Nada era tão claro quanto as manhãs que se seguiam às auroras menstruadas do nascer dos dias. A tarde era serena, semeava o campo de uma noite que cobria os espaços, despertava o ciciar dos ruídos e alumbrava o pensamento.
O circo armava-se nos derradeiros limites da cidade, o desfile do palhaço produzia-se pela turba dos meninos que o seguiam, a rua fazia-se pequena para tanta alegria desbordante, os pássaros espantados acrescentavam mais espaço ainda àquela festa. Esta é a paisagem que ficou daquele tempo.
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