terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Os velhinhos gays

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 Durante os carnavais eles se reuniam no bar da esquina, os quatro velhinhos gays, para a sua melhor diversão: acompanhar com o olhar os rapazes que passavam em direção à praia. Levantavam-se para ver os pequenos blocos evoluindo na Barata Ribeiro. Bebiam e riam, um riso cúmplice entre eles, malicioso e divertido.
Não os vejo mais. O último deles andava com uma acompanhante que o vigiava quando sentavam-se os dois à mesa do botequim. Provavelmente para não deixa-lo beber nada que não fosse um refrigerante. Há muito que também não o vejo. Os outros três haviam sumido aos poucos, a intervalos de tempo cada vez menores.
Viveram tempos alegres. Ou então sabiam onde descobrir alegria. Olhar para o carnaval da juventude parece que tinha esse poder sobre aqueles velhos nos derradeiros tempos de suas vidas que, de alguma forma, souberam como viver.
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