sexta-feira, 10 de julho de 2015

A violência


Em Grande Sertão: Veredas, sua obra prima, Guimarães Rosa disse pela boca de um personagem que viver é muito perigoso. E acrescentou que  Deus mesmo, quando vier, que venha armado. Ele falava de tempos violentos em um mundo de jagunços e mandantes, bandos soltos num sertão onde a lei era a de quem ganhava o poder pelas armas. A história do mundo é a história da violência.

Houve um tempo em que o pensamento humano que se fundamentava na ética acreditou o contrário. O homem, naturalmente bom, seria corrompido pela sociedade e Rousseau divulgou o mito do bom selvagem. Distante dessa utopia, o espetáculo dos massacres, a tortura, os genocídios e linchamentos, o horror como contraponto da história da humanidade desmentiam Rousseau.


O palco moderno da violência encontra-se nas grandes cidades, em todos os países, nas regiões do planeta onde as guerras são fomentadas por razões de mercado e a civilização expõe o seu fracasso. O homem é sempre o lobo do homem e em qualquer tempo ou espaço do mundo, Deus, se aqui vier, que venha armado.
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