segunda-feira, 11 de março de 2013

UTI



A sensação de sentir-se prisioneiro é causada pela impossibilidade de se levantar, ir ao banheiro ou conhecer o ambiente que nos mantem isolados. É proibido sair da cama. Os aparelhos que monitoram os sinais de vida apitam a cada dois segundos. Se você não estiver dopado, dificilmente dormirá durante a noite.

O salão é grande e dividido por cortinas em pequenos compartimentos individuais. Não dá para saber quem está preso nos outros espaços e apenas uma velhinha, lá do outro lado, no canto do salão, olha para mim atenta e demoradamente.

As enfermeiras não param de falar, conversas soltas que nada têm a ver com o que fazem naquele lugar. Uma delas diz à outra, durante a madrugada, que o paciente à minha direita caiu de um poste e quebrou a medula. Em intervalos, alguem se aproxima, faz você tomar algum remédio ou lhe aplica uma injeção. A noite é muito longa, a madrugada traz enfim um pouco de silêncio no qual se ouve cada vez mais alto o apito dos aparelhos, irritante aviso de que você permanece vivo.
Postar um comentário