terça-feira, 26 de abril de 2011

Jota


Entre as centenas de mortos no trânsito das estradas e da cidade e na violência de cada dia, nenhum jornal noticiou a morte de Jota, que vivia na noite. Seu ponto era a esquina de Viveiros de Castro com Prado Junior, bem no meio da área onde a malandragem divide o espaço com os velhos moradores de Copacabana.

Jota foi encontrado debaixo de uma marquise com um tiro disparado à queima-roupa na testa. Ele fazia a vida prestando pequenos serviços às garotas do Barbarella, ia à farmácia e fazia compras nas lojas noturnas da vizinhança. Dizem que também estava à disposição para subir o morro e buscar algum bagulho a pedido delas ou de um cliente.

Gordo, pequeno, andava rebolando e tinha sempre ar de riso. Vestia um paletó cinza menor do que o corpo e calças jeans sem cor e era este seu uniforme. Parado na esquina, gesticulando e falante, puxava conversa e conhecia pelo nome os motoristas de taxi.
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