quinta-feira, 6 de maio de 2010

O espetáculo e o medo


Nas duas vertentes adotadas pelo cinema – arte ou indústria – os filmes americanos cada vez mais exibem a escolha das suas platéias pelo espetáculo massificado. Distante da reflexão que toda obra de arte provoca, convidando seu público a uma participação criativa, a indústria americana optou por oferecer ao mercado de um lado a pirotecnia tecnológica e de outro o terror como diversão.

A carência de roteiros criativos é compensada pelos pesados investimentos na produção de blockbusters ingênuos: Avatar, Homem de Ferro e outros super-heróis dos quadrinhos convocados por Hollywood. Uma onda escapista de filmes de animação começa também a invadir o mercado.

A produção B especializou-se na exploração dos pesadelos infantis da classe média americana, criando um gênero que aos poucos se transforma numa cultura do medo. Na falta de emoções sutís, a indústria investe o que é possível na criação de impactos violentos, na exibição de crimes horrorosos e nas ameaças do terror sobrenatural, em fórmulas testadas e repetidas para lotar os cinemas e vender milhões de cópias.

Penso que existe oportunidade para um novo cinema nos Estados Unidos, capaz de criar novas platéias, saturadas de tanto sangue e tanto medo.
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