quinta-feira, 20 de outubro de 2016

O gesto



Há em ti um gesto obscuro
que trazes sempre submerso
no movimento das mãos.

Está presente no espaço
que te cerca e onde constróis
o som de tuas palavras.

Está presente e no entanto
diverge do pensamento
como esta mão da outra mão.

Chegas ao teu gesto
como o telegrafista
que não dispõe mais de dedos.

É algo que aproveitas

do muito que te foi dado
e a seguir retirado.
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