quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Trevas


Aos poucos os refugiados são esquecidos pela mídia. Os jornais se cansam das notícias e as abandonam enquanto as multidões sem abrigo são jogadas ao relento do frio inverno europeu. Deixam a sala de espetáculos em que foram exibidas. É assim como sempre foi, a comoção encontra o seu limite na mesa do jantar e os homens se cansam das emoções solidárias. Não se vê mais crianças mortas na tela e esquecemos que elas continuam a morrer durante o longo trajeto para onde são rejeitadas.

É no entanto contínuo o noticiário dos dias com suas balas perdidas no ar e o massacre dos inocentes nos subúrbios da cidade. As cidades fracassaram, os ajuntamentos humanos exibem suas tragédias nas calçadas, a rua é um desfilar sinistro em seus disfarces. 

Este ano que vai se arrastando ainda não se cansou dos matizes da miséria humana. Faltam poucos dias para a festiva comemoração do reveillon mas dois mil e quinze ainda não terminou. Outras crianças serão assassinadas até o último dia de dezembro, outros crimes estamparão o noticiário, estupefação, violência e o caos que sobrevive na ceva das cidades. O pranto de mães, esposas e maridos pelos que morreram aparecerá em close na TV. Durante a descida ao inferno, há quem vire o rosto para não encarar o horror e desviar os olhos dos olhos de Satanás.


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