quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Fim de ano


Pássaros cegos ensaiam voos num firmamento carregado de nuvens de chumbo. São bandos sem rumo, enquanto multidões de fugitivos buscam abrigo em crateras abertas por bombas incendiárias. Sons enlouquecidos se cruzam no ar de chuva fina que assinala o intenso frio no rosto das crianças, entorpece o andar dos velhos, agudiza o desespero crescente no íntimo das mulheres.

Imagens se retorcem na paisagem em que um fantasma busca refugio nas sombras e um grito se abriga na garganta de um menino. Uma brisa doentia sopra sobre os corpos, uma gota qualquer de orvalho antigo desperta nuances esquecidas. Algo que procura existir se enlaça no pensamento, na arte dos muros, nas imagens lançadas no ar.


A fascinação se enlaça com as árvores do deserto, o vento simboliza sensações perdidas e a beleza se transforma na vítima do tempo. Nada encontra seu retorno nas encruzilhadas que, em labirinto, abrem-se em outros caminhos que se perdem nos horizontes de sombra. O tempo se encerra e se inicia, os verões encontram seu caminho e uma criança uma vez mais se lança no desconhecido.

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