segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Infância


Em suas cartas a um jovem poeta, Rainer Maria Rilke o aconselhava a voltar os olhos para a própria infância, quando não encontrasse inspiração para a poesia. Volte a sua atenção para ela, disse, e procure fazer ressurgir as imensas sensações desse vasto passado. 

Nem todos se lembram da infância, como Paulo Mendes Campos ao dizer “sou restos de um menino que passou”. O adulto costuma manter prisioneira a criança que teima em sobreviver e que às vezes o faz despertar na noite escura da alma, onde são sempre três horas da manhã, no dizer de São João da Cruz.


Somos todos restos de nós mesmos, tateamos no escuro das sensações vividas que enterramos como lembranças esquecidas. A criança que permanece viva ainda não aprendeu a formular palavras mas insiste em nos dizer que não estamos prontos para a poesia nem para o entendimento da lógica do mundo.
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