terça-feira, 15 de setembro de 2015

Cidades


As cidades são organismos vivos, mudam com o tempo até ficarem irreconhecíveis. Quando  voltamos, depois de prolongada ausência, é difícil reconhecer o lugar onde nascemos. A paisagem da infância desapareceu, os edifícios são outros, o trânsito complicou-se, as pessoas são estrangeiras. Para Drummond, sua Itabira tinha se transformado apenas num retrato na parede. Mas como doía.

Os novos bairros trazem nova gente, os antigos envelhecem junto com o povo que neles vive. O centro das cidades costuma também se mudar de uma região para outra e deixa velhos prédios abandonados. Os ricos cada vez mais se afastam e levam seu próprio conforto para recantos mais aprazíveis.


As mudanças no centro do Rio vão mais uma vez mudar sua paisagem. Quem voltar daqui a alguns anos não vai reconhecer as novas ruas, os novos meios de transporte, as novas construções, o mar redescoberto. Os lugares serão diferentes. A Praça Mauá, deteriorada e triste, ressurge como se fosse outra, lembrando à cidade que ela nasceu às margens de uma baía que lhe deu o nome porque pensaram que era um rio. O Rio havia esquecido a vocação do mar.
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