segunda-feira, 15 de junho de 2015

O tempo

Os dias transcorrem devagar quando somos crianças. Gostaríamos de ser como os adultos mas o tempo não passa e as crianças continuam crianças contra a própria vontade. Só o acúmulo dos anos acaba por inverter o desejo e traz a sensação de como a vida era diferente e muitas vezes feliz.

Até os quinze anos o tempo parece lento mas a partir daí a velocidade dos anos atropela a vivência e de repente estamos habitando o mundo dos adultos, complexo e contraditório, competitivo e violento. Tanto idealizamos a felicidade das crianças que esquecemos os momentos de temor e angústia que costumam habitar o universo infantil.


O homem adulto continua o mesmo dos seus primeiros anos. Os medos, decepções e deslumbramentos o acompanham por toda a vida. Às portas da velhice, assoma às vezes algum sentimento indefinido de dor ou tristeza difusa. A causa encontra-se perdida no passado, quando o mundo era incompreensível e ameaçador para uma criança que apenas envelheceu, com a rapidez do vento das marés tardias.
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