quinta-feira, 17 de maio de 2012

Minha Felicidade



O título – Minha Felicidade – pode enganar o espectador, como as duas velhinhas que foram embora depois de vinte minutos de filme. Não suportaram a história contada pelo ucraniano Sergei Loznitsa, crua e sem qualquer sombra de esperança. Uma história de corrupção, miséria e desumanidade.

Um país mergulhado em crise profunda não tem possibilidade de futuro, parece nos dizer Loznitsa. Num tom realista que muitas vezes parece um documentário, a saga vivida pelo camioneiro Georgy se cruza com outras histórias igualmente tristes e violentas. Nelas não há espaço para nada parecido com solidariedade, compaixão e muito menos felicidade. O homem é o lobo do homem.

A ironia do título violentou a sensibilidade das duas velhinhas, que talvez esperassem uma comédia romântica açucarada à moda de Hollywood. Mas o filme expõe o contrário, sem qualquer concessão. Este é o mundo, diz. E esta é a felicidade possível.
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