
Um diplomata que passou mais de vinte anos fora do país disse na volta que ainda não se reacostumara com duas manias dos brasileiros. Para protestar contra o atraso do trem, os brasileiros quebram o trem; e não havia como entender o hábito dos homens de coçar em público a genitália.
Também o impressionava o culto da Índia e do hinduismo por um segmento da classe intelectualizada, num misticismo alternativo que busca entender o mundo e a si mesmo com a importação de uma religião exótica. Quando voltou da Índia e passou pelo complexo da maré, disse ele, viu como aquelas construções eram melhores do que as casas da classe média de Deli. Pensou que o hinduísmo poderia ter tomado, naquelas favelas, o lugar das seitas evangélicas dominantes.
O embaixador morreu sem entender por que o homem brasileiro usa gravata no clima tropical do país, por que quebram os trens para protestar e por que não cultivavam o hábito lavar a genitália.
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