quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Uma tarde



Um dia como os outros, o sol morno exibe-se no céu bem azul e existe alguma alegria no riso das raparigas que se espalha com o vento. O barulho dos automóveis disfarça o ladrar de cães ocultos em algum lugar atrás dos muros. Há também o choro irritado de uma criança transformando o dia.

O velho afasta-se da esquina enquanto a brisa levanta o pó confuso das memórias e de alguns momentos do presente inútil. Há música na distância, tambores de um samba sem ritmo, pimba, o soar de metais nos instrumentos que esgarçam todas as harmonias perdidas em algum lugar escuro das lembranças.

E aquele vento traz consigo lamento, dores e tormentos vividos como se fora o sangue de animais sacrificados. Uma pedra também sangrenta aflora dessas imagens doentias e o velho, abrigado pela sombra, silenciosamente pensa na morte e em todas as despedidas.

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