terça-feira, 12 de junho de 2012

Marquinhos


De olhos esbugalhados, o queixo prognata apontado para a frente, atravessou o sinal fechado para pedestres com desprezo pelos automóveis. Vestia seu terno branco, limpo, e ao invés do silencioso rádio que sempre carrega junto ao ouvido,  tinha fones pendurados no pescoço, como uma exótica gravata.

Tinha pressa. Está sempre apressado. Faz uns dois meses que eu não o via, imagino que devem tê-lo tirado de circulação para algum tratamento. Eletrochoques, talvez. Costumam fazer isso com os que são diferentes.

Ele passou por duas moças bonitas que iam em sentido contrário e as olhou com o mesmo desprezo que tem pelos automóveis. Depois cruzou comigo, debaixo da chuva. Não me prestou nenhuma atenção e correu para espantar os pombos que fazem ponto na praça da estação do metrô.
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