terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O enigma Rimbaud


Antes de partir para a África, interrompendo uma obra que já o havia consagrado como um dos maiores poetas de língua francesa, Arthur Rimbaud disse je suis venu trop tard dans un monde trop vieux. Cheguei muito tarde num mundo muito velho. Ele expressou o seu tédio pela vida citando outro poeta, Alfred de Musset.

Rimbaud é um dos grandes enigmas da literatura. Foi grande quando ainda era quase um adolescente, brilhou nos círculos literários de Paris da belle-époque e desapareceu de repente. Gabriel Bounoure escreveu um livro, Le silence de Rimbaud, com o resultado de uma pesquisa que fez seguindo os passos do poeta em sua vida na África.

O que teria feito com que ele abandonasse tudo e partisse numa aventura errante, nem sua própria irmã poderia dizer. Com o irmão no leito de morte, Isabelle Rimbaud escreveu à mãe: "Não, não acredito. É quase um ser imaterial e o pensamento foge apesar dos seus esforços. Às vezes pergunta aos médicos se eles vêem as coisas extraordinárias que ele percebe, e fala-lhes e conta-lhes com doçura, de uma maneira que eu não saberia repetir, suas impressões. Os médicos olham-no nos olhos, estes belos olhos que nunca foram tão belos e nem mais inteligentes, e dizem entre eles: "É estranho." Há, em Arthur, alguma coisa que eles não compreendem."
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