quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Monrovia


Um viajante que perde a bagagem é como uma tartaruga que perdeu o casco, foi o pensamento que me ocorreu olhando para a imensa fila no aeroporto de Toulouse, esperando para reclamar as malas desaparecidas no meio do cáos aéreo da Europa nesta véspera do Natal.

Eram tartarugas sem casco e aflitas, caladas, olhando para o funcionário que, lá longe, no começo da fila, fora designado para explicar o que não sabia.

“A Air France é uma companhia muito séria”, me disse o velho que bebia ao meu lado e que também perdera a sua mala. Acho que ele tinha razão porque muitos, alguns dias depois, recuperamos nossas perdas pelos esforços do pessoal que ouvia em silêncio tantas imprecações. Ao fim, me lembrei de Sergio Porto, cuja mala certa vez foi desviada para a Monrovia e ele pensava que monrovia era uma doença da pele.
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