quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Realidade


Enquanto escrevo a violência e o desastre espalham desumanidade e espanto, uma criança assassinada é lançada no abismo. Viveu breve momento num século obscuro, num país injusto, torpe, cercado por feras invasoras do espaço da vida. Não há sombra de estima entre os iguais. Apenas labirintos.

A brutalidade está próxima dos universos subjetivos, não existe música na existência e o que virá se anuncia com mais violência no torpor do mais escuro silêncio. Nada se diz e seus sinais constroem pesadelos.


Escrevo sobre sonhos em busca de inexistente beleza. Pressinto a silhueta do real e recuso a terrível expressão das suas ameaças. Preciso recusar a poesia e seu ritmo inconstante, inconsútil. O real faz sombra às fantasias, em breve estarei condenado a encará-lo de frente e abandonar a fuga.
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