sábado, 9 de setembro de 2017

Visita


Uma brisa suave lembrava o sopro de coisas mortas em repouso, como lembrança da vida que ali tinha existido antigamente. De tão leve, era incapaz de levantar a poeira finíssima que quase cobria os móveis e os objetos de uma casa que um dia fora banhada de ventania. Depois, na calma que viera, nada se movia, apenas o pó suspenso pelo ar das frestas obscuras.

Nessas paragens quietas, insetos lembravam gotas d’água, viam-se nuvens construindo um céu de chumbo e a pouca luz montava a moldura de retratos improváveis. A sombra esmaecia restos sem brilho, breve claridade fria como o vento de um país gelado.

Lá, nessas paragens estranhas, uma criança crescia e olhava em sua volta, procurava enxergar além desse horizonte de chumbo e descansava a cabeça numa pedra escurecida. Como se fosse apenas um reflexo, uma réstia dessa luz perdida que se pode encontrar em paredes desenhadas pelo tempo.
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