domingo, 29 de janeiro de 2017

Amanhecer

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Às sete da manhã, nesta época do ano, ainda faz escuro no Norte de Portugal. O tempo é frio e chove, às vezes. Ouço o canto das gaivotas do Rio Douro e os pingos de chuva na vidraça da janela acentuam a indecisão da paisagem que ainda se mantem mergulhada na densidade da noite. A gata chamada Preta acompanha meus passos e segue o meu olhar que busca enxergar no espaço escuro ocupado por árvores e construções antigas.

As gaivotas são um dos símbolos do Porto. São aves marinhas mas povoam também o Rio Douro. Dele se alimentam, nele procriam e formam suas colônias. Seu canto estridente soa sempre como um alerta, são mansas e não temem a proximidade humana. Seguem os barcos, povoam as margens do rio.

Enquanto a manhã avança, a aurora começa a aparecer e minuto a minuto ocupa lentamente o espaço da noite. A claridade tímida se embaralha nas nuvens de cinza escuro e há um ritmo próprio do sol que começa a ocupar todos os espaços, ilumina o que ainda restava sombrio, desponta sua luz dourada e começa a mostrar a beleza intensa das águas, dos velhos edifícios e da torre que se pode ver de qualquer ponto de onde se olhe pelos cantos desta cidade.
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